Entrevista de Homenagem às Mães


O turismolavrasnovas.com.br faz uma homenagem a  todas as mães contanto a história da mãe mais idosa de Lavras Novas, Dona Maria Nair Correia Viana (D.Nem), filha de Dona Violeta, mãe de três filhas e a filha do meio, Helena Maria, hoje, sua filha única.

Nascida aqui mesmo em Lavras Novas em 21 do um do 21 (21/01/1921).

"Antigamente, Lavras Novas era uma rua só, de casas simples; era uma casa aqui e outra há quatro casas do que tem hoje. Seguia o vilarejo do Cruzeiro até o posto de saúde hoje.
Não tinha luz e nem água e tinha que buscar água pra tudo, lá  na Fonte Grande, na Fonte da Rosa e nos Pocinhos.
Fogão a lenha tinha! Não tinha muita lenha, era com o carvão que os homens, nossos pais, traziam de longe no burro quando voltavam do trabalho na roça.
Galinha também tinha! O ovo pra comer e a roça da casa com abóbora, batata, milho, inhame e mandioca. Oque sobrava dava pra criar os porcos.
A igrejinha já tinha, com missa em latim e o padre ficava de costas! Todo mundo ía na missa. Diz D.Nem (Maria Nair).
De criança brincava de roda e ajudava a arrancar raízes para fazer lenha, as mães cuidavam e capinavam a roça de casa.
Famílas grandes, a minha, nove moças e três homens de irmãos.
Estudei até a 2ª série, mas quem estudava mesmo ía até a 4ª e 5ª série!
Em Ouro Preto, comprava pano preto pra cobrir "quem já se foi" e fazer a funerária na frente da casa, o resto do pano, as mulheres usavam na cabeça para completar a tristeza. A Igreja dava as tábuas e depois de tudo pronto, o enterro acontecia.
Na saúde, tinha até um farmacêutico de fora que veio morar aqui e ajudava, mas não tinha remédio, carro, estrada, nenhum recurso. O remédio era chá de macela, leite de vaca e mamão batido com azeite(não era esse mamão comum não!) e a fé! Depois de mãe, o marido ía à pé, de noite, para buscar remédio em Ouro Preto!
A lavoura de chá era muito alegre e íamos cantando para o Manso numa farra boa, levava comida e quentava lá. No natal davam presente, queijo e essas coisas; trabalhei lá por 16 anos, ganhava alguma coisa que nem sabia quanto, era em réis que nem tem mais hoje, mas não tinha serviço por aí; o povo não é preguiçoso não é trabalhador, mas não tinha serviço mesmo. Saí pra casar.
Depois quando as coisas melhoraram, comprou vaca, aí tirava o leite e a mãe fazia deliciosos biscoitos no forno; forno de cupim, lá fora.
As moças íam trabalhar nas casas de família em Saramenha e os homens na Alcan.
Agora tá bão de mais, tão até rico!

Vou fazer uma mensagem :

Nossas queridas mães, para todas vocês que são de minha idade e para baixo de mim, peço à Nossa Senhora dos Prazeres, vida e saúde para criar os filhos e muita paz, que hoje em dia...não se tem.
Que sejam iguais à mães que tivemos e igual eu! Fortes e com paciência para saber levar os filhos com carinho."

D.Nem

Toda a história contada aqui  foi por Dona Maria Nair Correia Viana, acompanhada de sua filha Helena Maria e autorizada a publicar.